AgRg no REsp 1413263 / MGAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2013/0355591-1
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.
FURTO SIMPLES. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. BEM SUBTRAÍDO AVALIADO EM R$ 120,00. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE RECONHECIMENTO DO FURTO PRIVILEGIADO. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO, PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.
PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. EXASPERAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE TRÊS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. FLAGRANTE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ANTECEDENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 444/STJ.
MOTIVOS INERENTES AO TIPO PENAL. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. ORDEM CONCEDIDA, DE OFÍCIO.
I. Após o paradigmático voto do Ministro CELSO DE MELLO, nos autos do HC 84.412/SP, a orientação jurisprudencial sedimentou-se no sentido de que a incidência do princípio da insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores, a saber: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada (STF, SEGUNDA TURMA, DJU de 19/11/2004).
II. Não se pode entender como insignificante a lesão jurídica provocada pelo furto de uma bicicleta, avaliada em R$ 120,00, que representava, à época dos fatos, quase 26% do salário-mínimo vigente, no valor de R$ 465,00. Precedentes.
III. Considerando a primariedade do réu e o pequeno valor do bem subtraído, plausível o deferimento do privilégio, previsto no art.
155, § 2º, do Código Penal, por estarem preenchidos os requisitos para a sua concessão.
IV. Estabelecida a pena-base acima do mínimo legal, em razão da presença de três circunstâncias judiciais desfavoráveis - os antecedentes, os motivos e as circunstâncias do delito -, sem que fosse apontado, pelo Juízo sentenciante, nem pelo Tribunal a quo, qualquer fundamento concreto e válido, apto a justificar o aumento, deve ser ela reduzida ao mínimo legal.
V. A utilização de registro, constante da folha de antecedentes criminais do réu - em relação ao qual, inclusive, sobreveio sentença absolutória -, para a exasperação da sua pena-base, a título de maus antecedentes, constitui flagrante afronta à Súmula 444 do STJ.
VI. Os motivos não podem ser valorados negativamente, porquanto o ganho fácil, em detrimento do prejuízo alheio, é circunstância inerente ao delito de furto, não havendo, portanto, fundamentação idônea para a exasperação da pena-base.
VII. Tendo o Juiz sentenciante considerado as circunstâncias do crime reprováveis, sem, no entanto, apontar qualquer elemento concreto, a justificar tal conclusão, mostra-se indevida a majoração da pena-base.
VIII. Agravo Regimental provido, para, afastando a aplicação do princípio da insignificância, dar parcial provimento ao Recurso Especial e reconhecer o privilégio, previsto no § 2º do art. 155 do Código Penal.
IX. Habeas corpus concedido, de ofício, para estabelecer a pena-base no mínimo legal.
(AgRg no REsp 1413263/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEXTA TURMA, julgado em 06/02/2014, DJe 28/04/2015)
Ementa
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.
FURTO SIMPLES. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. BEM SUBTRAÍDO AVALIADO EM R$ 120,00. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE RECONHECIMENTO DO FURTO PRIVILEGIADO. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO, PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.
PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. EXASPERAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE TRÊS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. FLAGRANTE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ANTECEDENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 444/STJ.
MOTIVOS INERENTES AO TIPO PENAL. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. ORDEM CONCEDIDA, DE OFÍCIO.
I. Após o paradigmático voto do Ministro CELSO DE MELLO, nos autos do HC 84.412/SP, a orientação jurisprudencial sedimentou-se no sentido de que a incidência do princípio da insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores, a saber: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada (STF, SEGUNDA TURMA, DJU de 19/11/2004).
II. Não se pode entender como insignificante a lesão jurídica provocada pelo furto de uma bicicleta, avaliada em R$ 120,00, que representava, à época dos fatos, quase 26% do salário-mínimo vigente, no valor de R$ 465,00. Precedentes.
III. Considerando a primariedade do réu e o pequeno valor do bem subtraído, plausível o deferimento do privilégio, previsto no art.
155, § 2º, do Código Penal, por estarem preenchidos os requisitos para a sua concessão.
IV. Estabelecida a pena-base acima do mínimo legal, em razão da presença de três circunstâncias judiciais desfavoráveis - os antecedentes, os motivos e as circunstâncias do delito -, sem que fosse apontado, pelo Juízo sentenciante, nem pelo Tribunal a quo, qualquer fundamento concreto e válido, apto a justificar o aumento, deve ser ela reduzida ao mínimo legal.
V. A utilização de registro, constante da folha de antecedentes criminais do réu - em relação ao qual, inclusive, sobreveio sentença absolutória -, para a exasperação da sua pena-base, a título de maus antecedentes, constitui flagrante afronta à Súmula 444 do STJ.
VI. Os motivos não podem ser valorados negativamente, porquanto o ganho fácil, em detrimento do prejuízo alheio, é circunstância inerente ao delito de furto, não havendo, portanto, fundamentação idônea para a exasperação da pena-base.
VII. Tendo o Juiz sentenciante considerado as circunstâncias do crime reprováveis, sem, no entanto, apontar qualquer elemento concreto, a justificar tal conclusão, mostra-se indevida a majoração da pena-base.
VIII. Agravo Regimental provido, para, afastando a aplicação do princípio da insignificância, dar parcial provimento ao Recurso Especial e reconhecer o privilégio, previsto no § 2º do art. 155 do Código Penal.
IX. Habeas corpus concedido, de ofício, para estabelecer a pena-base no mínimo legal.
(AgRg no REsp 1413263/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEXTA TURMA, julgado em 06/02/2014, DJe 28/04/2015)Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, prosseguindo no julgamento após o voto-vista da Sra.
Ministra Assusete Magalhães dando provimento ao agravo regimental
para dar parcial provimento ao recurso especial, afastando a
insignificância mas, reconhecendo o furto privilegiado, concedendo,
ainda ordem de ofício, sendo acompanhada pelos Srs. Ministros
Rogerio Schietti Cruz, Marilza Maynard (Desembargadora Convocada do
TJ/SE) e Maria Thereza de Assis Moura e, pelo voto do Sr. Ministro
Sebastião Reis Júnior somente no que se refere ao reconhecimento do
furto privilegiado e à concessão de ordem de ofício, acordam os
Ministros da SEXTA Turma do Superior Tribunal de Justiça a Turma,
por maioria, dar provimento ao agravo regimental para dar parcial
provimento ao recurso especial, afastar o princípio da
insignificância e, à unanimidade, reconhecer o furto privilegiado,
expedindo, ainda, ordem de ofício, nos termos do voto da Sra.
Ministra Assusete Magalhães, que lavrará o acórdão.
Votaram integralmente com a Sra. Ministra Assusete Magalhães os Srs.
Ministros Rogerio Schietti Cruz, Marilza Maynard (Desembargadora
Convocada do TJ/SE) e Maria Thereza de Assis Moura e, parcialmente,
o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
Data do Julgamento
:
06/02/2014
Data da Publicação
:
DJe 28/04/2015
Órgão Julgador
:
T6 - SEXTA TURMA
Relator(a)
:
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR (1148)
Relator a p acórdão
:
Ministra ASSUSETE MAGALHÃES (1151)
Notas
:
Princípio da insignificância: não aplicado ao furto de uma bicicleta
avaliada em R$ 120,00 (cento e vinte reais).
Informações adicionais
:
(VOTO VENCIDO) (MIN. SEBASTIÃO REIS JÚNIOR)
" [...] ao contrário do disposto no acórdão local, adequada a
incidência do postulado da insignificância, porquanto reduzido o
valor do bem subtraído e mínima a ofensividade da conduta, subtração
de uma bicicleta avaliada em R$ 120,00 (cento e vinte reais), sendo
a res devolvida à vítima [...]. Em outros termos, tudo leva a crer
que o presente delito foi o denominado furto de ocasião, além disso,
a res detém valor bagatelar, notadamente tomando-se por base o
salário mínimo vigente à época-a partir de 1º/2/2009, Lei n.
11.944/2009, de R$ 465,00 (quatrocentos e sessenta e cinco reais)".
Referência legislativa
:
LEG:FED DEL:002848 ANO:1940***** CP-40 CÓDIGO PENAL ART:00155 PAR:00002LEG:FED SUM:*********** SUM(STJ) SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA SUM:000444
Veja
:
(PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - REQUISITOS) STJ - AgRg no REsp 520851-RS, HC 205940-SP STF - HC 84412(PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - FURTO - COISA DE PEQUENO VALOR -COISA DE VALOR INSIGNIFICANTE - DIFERENÇA) STJ - HC 212518-MS, HC 132217-MG, HC 263545-RS, HC 224377-TO(FURTO PRIVILEGIADO - RÉU PRIMÁRIO - COISA DE PEQUENO VALOR) STJ - AgRg no REsp 1396773-DF, HC 245038-RJ(DOSIMETRIA DA PENA - AUMENTO DA PENA-BASE - UTILIZAÇÃO DECIRCUNSTÂNCIA INERENTE AO CRIME) STJ - HC 200344-DF, HC 252522-MG(VOTO VENCIDO - PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - FURTO SIMPLES - COISADE PEQUENOVALOR) STJ - REsp 1213453-RS
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