HC 295907 / SPHABEAS CORPUS2014/0130108-7
EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO.
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ASSOCIAÇÃO E TRÁFICO DE DROGAS.
PROGRESSÃO DE REGIME. GRAVIDADE DO DELITO. REINCIDENTE ESPECÍFICO.
LONGA PENA A CUMPRIR. MOTIVOS INSUFICIENTES. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, acompanhando a orientação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, firmou-se no sentido de que o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio, sob pena de desvirtuar a finalidade dessa garantia constitucional, exceto quando a ilegalidade apontada for flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício.
2. O art. 112 da Lei de Execução Penal, com a redação introduzida pela Lei n. 10.792/1993, exige para o deferimento da progressão de regime, o preenchimento cumulativo dos seguintes requisitos objetivo e subjetivo: a) cumprimento, pelo reeducando, de ao menos 1/6 (um sexto) da pena no regime anterior (2/5 aos condenados por crimes hediondos - Lei n. 11.464/2007) e b) bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento.
3. No caso, o Tribunal de origem não apresentou fundamento idôneo para cassar a decisão que concedeu ao paciente a progressão ao regime semiaberto. Com efeito, a gravidade abstrata do delito, o fato de o apenado ser reincidente específico e a longa pena a cumprir não constituem motivos para negar o aludido benefício, porquanto o paciente já sofreu as sanções judiciais cabíveis pelo cometimento dos crimes de associação e tráfico de drogas.
4. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para cassar o acórdão hostilizado, restabelecendo-se a decisão de primeiro grau que deferiu ao paciente a progressão ao regime semiaberto.
(HC 295.907/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 24/03/2015, DJe 08/04/2015)
Ementa
EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO.
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ASSOCIAÇÃO E TRÁFICO DE DROGAS.
PROGRESSÃO DE REGIME. GRAVIDADE DO DELITO. REINCIDENTE ESPECÍFICO.
LONGA PENA A CUMPRIR. MOTIVOS INSUFICIENTES. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, acompanhando a orientação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, firmou-se no sentido de que o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio, sob pena de desvirtuar a finalidade dessa garantia constitucional, exceto quando a ilegalidade apontada for flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício.
2. O art. 112 da Lei de Execução Penal, com a redação introduzida pela Lei n. 10.792/1993, exige para o deferimento da progressão de regime, o preenchimento cumulativo dos seguintes requisitos objetivo e subjetivo: a) cumprimento, pelo reeducando, de ao menos 1/6 (um sexto) da pena no regime anterior (2/5 aos condenados por crimes hediondos - Lei n. 11.464/2007) e b) bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento.
3. No caso, o Tribunal de origem não apresentou fundamento idôneo para cassar a decisão que concedeu ao paciente a progressão ao regime semiaberto. Com efeito, a gravidade abstrata do delito, o fato de o apenado ser reincidente específico e a longa pena a cumprir não constituem motivos para negar o aludido benefício, porquanto o paciente já sofreu as sanções judiciais cabíveis pelo cometimento dos crimes de associação e tráfico de drogas.
4. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para cassar o acórdão hostilizado, restabelecendo-se a decisão de primeiro grau que deferiu ao paciente a progressão ao regime semiaberto.
(HC 295.907/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 24/03/2015, DJe 08/04/2015)Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, por unanimidade, não conhecer do pedido e conceder
Habeas Corpus de ofício, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Newton Trisotto (Desembargador Convocado do
TJ/SC), Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador convocado do
TJ/PE), Felix Fischer e Jorge Mussi votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Data do Julgamento
:
24/03/2015
Data da Publicação
:
DJe 08/04/2015
Órgão Julgador
:
T5 - QUINTA TURMA
Relator(a)
:
Ministro GURGEL DE FARIA (1160)
Referência legislativa
:
LEG:FED LEI:007210 ANO:1984***** LEP-84 LEI DE EXECUÇÃO PENAL ART:00112(COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.792/1993)LEG:FED LEI:010792 ANO:1993LEG:FED LEI:011464 ANO:2007LEG:FED SUM:*********** SUM(STJ) SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA SUM:000439
Veja
:
(EXECUÇÃO PENAL - PROGRESSÃO DE REGIME - REALIZAÇÃO DE EXAMECRIMINOLÓGICO - FUNDAMENTAÇÃO) STJ - AgRg no HC 292513-SP(EXECUÇÃO PENAL - PROGRESSÃO DE REGIME - INDEFERIMENTO -REINCIDÊNCIA E TAMANHO DA PENA - FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA) STJ - HC 287558-SP, HC 268534-SP
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