REsp 1661018 / RSRECURSO ESPECIAL2017/0058844-7
PROCESSUAL CIVIL. ACOLHIMENTO DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.
ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALOR EXCESSIVO. QUESTÕES RELEVANTES. AUSÊNCIA DE VALORAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA.
1. Controverte-se a respeito do acórdão que deu provimento à Apelação da executada, ora recorrida, para majorar os honorários advocatícios em seu favor (de dez mil para cinquenta mil reais).
2. O Tribunal de origem estabeleceu as seguintes premissas: a) a verba honorária, no caso concreto, é regida pela regra do art. 20 do CPC/1973, pois a sentença que acolheu a Exceção de Pré-Executividade e arbitrou honorários de R$10.000,00 (dez mil reais) se deu na vigência do aludido código; b) para o arbitramento correto do quantum deve se levar em conta "o princípio da equidade e, ainda, o grau de zelo do profissional vencedor da demanda, e, especialmente, o valor atribuído à presente causa (que supera R$ 8 milhões de reais), entendo ser caso de majorar os honorários advocatícios de sucumbência para R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)".
3. A questão relativa à aplicação dos critérios previstos no art. 20 do CPC/1973, e não no art. 85 do CPC/2015, transitou em julgado para a recorrida, pois esta não apresentou recurso.
4. No que diz respeito à pretensão recursal do ente fazendário, merece acolhimento a tese de violação do art. 1.022 do CPC/2015.
5. Com efeito, em seus aclaratórios, a Fazenda Nacional apontou omissão do órgão colegiado em estabelecer as premissas fáticas que justificariam a excessiva - em seu modo de ver - majoração da verba honorária, pois este deixou de consignar que a atividade do advogado teria sido simples, limitando-se ao protocolo de singela petição informando que o débito estava suspenso em razão de depósito integral realizado na Ação Anulatória ajuizada antes da Execução Fiscal.
6. No acórdão que definiu a majoração da verba honorária, constata-se que o voto condutor realmente foi lacônico, registrando apenas (fl. 643, e-STJ): "Tendo em conta o princípio da equidade e, ainda, o grau de zelo do profissional vencedor da demanda, e, especialmente, o valor atribuído à presente causa (que supera R$ 8 milhões de reais), entendo ser caso de majorar os honorários advocatícios de sucumbência para R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)".
7. A argumentação fazendária ganha maior relevância quando se constata que o juízo de primeiro grau expressamente indicou as circunstâncias fáticas que justificariam o arbitramento dos honorários em R$10.000,00 (dez mil reais): "(...) impõe-se a condenação da Fazenda Nacional em honorários advocatícios, os quais, entretanto, devem ser fixados em quantia módica, por tratar-se de mero incidente (e não ação autônoma), solucionado sem grandes delongas, sem dilação probatória ou mais petições de parte da excipiente, de cujo procurador não foi exigido grande trabalho.
Ademais, a Fazenda já será condenada ao pagamento de honorários no âmbito da ação anulatória, em caso de procedência. Como corolário, não se pode tomar como critério para fixação dos honorários o valor da execução (R$8.316.903,00), como ocorreria se esta fosse extinta por inexistência do crédito fazendário, até porque resultaria em quantia desproporcional. Neste feito não se decidiu sobre a validade em si do crédito, mas tão só sobre sua exigibilidade".
8. Recurso Especial parcialmente provido, com devolução dos autos para novo julgamento dos aclaratórios.
(REsp 1661018/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/04/2017, DJe 02/05/2017)
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. ACOLHIMENTO DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.
ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALOR EXCESSIVO. QUESTÕES RELEVANTES. AUSÊNCIA DE VALORAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA.
1. Controverte-se a respeito do acórdão que deu provimento à Apelação da executada, ora recorrida, para majorar os honorários advocatícios em seu favor (de dez mil para cinquenta mil reais).
2. O Tribunal de origem estabeleceu as seguintes premissas: a) a verba honorária, no caso concreto, é regida pela regra do art. 20 do CPC/1973, pois a sentença que acolheu a Exceção de Pré-Executividade e arbitrou honorários de R$10.000,00 (dez mil reais) se deu na vigência do aludido código; b) para o arbitramento correto do quantum deve se levar em conta "o princípio da equidade e, ainda, o grau de zelo do profissional vencedor da demanda, e, especialmente, o valor atribuído à presente causa (que supera R$ 8 milhões de reais), entendo ser caso de majorar os honorários advocatícios de sucumbência para R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)".
3. A questão relativa à aplicação dos critérios previstos no art. 20 do CPC/1973, e não no art. 85 do CPC/2015, transitou em julgado para a recorrida, pois esta não apresentou recurso.
4. No que diz respeito à pretensão recursal do ente fazendário, merece acolhimento a tese de violação do art. 1.022 do CPC/2015.
5. Com efeito, em seus aclaratórios, a Fazenda Nacional apontou omissão do órgão colegiado em estabelecer as premissas fáticas que justificariam a excessiva - em seu modo de ver - majoração da verba honorária, pois este deixou de consignar que a atividade do advogado teria sido simples, limitando-se ao protocolo de singela petição informando que o débito estava suspenso em razão de depósito integral realizado na Ação Anulatória ajuizada antes da Execução Fiscal.
6. No acórdão que definiu a majoração da verba honorária, constata-se que o voto condutor realmente foi lacônico, registrando apenas (fl. 643, e-STJ): "Tendo em conta o princípio da equidade e, ainda, o grau de zelo do profissional vencedor da demanda, e, especialmente, o valor atribuído à presente causa (que supera R$ 8 milhões de reais), entendo ser caso de majorar os honorários advocatícios de sucumbência para R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)".
7. A argumentação fazendária ganha maior relevância quando se constata que o juízo de primeiro grau expressamente indicou as circunstâncias fáticas que justificariam o arbitramento dos honorários em R$10.000,00 (dez mil reais): "(...) impõe-se a condenação da Fazenda Nacional em honorários advocatícios, os quais, entretanto, devem ser fixados em quantia módica, por tratar-se de mero incidente (e não ação autônoma), solucionado sem grandes delongas, sem dilação probatória ou mais petições de parte da excipiente, de cujo procurador não foi exigido grande trabalho.
Ademais, a Fazenda já será condenada ao pagamento de honorários no âmbito da ação anulatória, em caso de procedência. Como corolário, não se pode tomar como critério para fixação dos honorários o valor da execução (R$8.316.903,00), como ocorreria se esta fosse extinta por inexistência do crédito fazendário, até porque resultaria em quantia desproporcional. Neste feito não se decidiu sobre a validade em si do crédito, mas tão só sobre sua exigibilidade".
8. Recurso Especial parcialmente provido, com devolução dos autos para novo julgamento dos aclaratórios.
(REsp 1661018/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/04/2017, DJe 02/05/2017)Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior
Tribunal de Justiça: ""A Turma, por unanimidade, deu parcial
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a).
Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Og Fernandes, Assusete
Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro
Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Mauro Campbell
Marques."
Data do Julgamento
:
18/04/2017
Data da Publicação
:
DJe 02/05/2017
Órgão Julgador
:
T2 - SEGUNDA TURMA
Relator(a)
:
Ministro HERMAN BENJAMIN (1132)
Referência legislativa
:
LEG:FED LEI:005869 ANO:1973***** CPC-73 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973 ART:00020LEG:FED LEI:013105 ANO:2015***** CPC-15 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015 ART:01022
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