STF HC 75169 / SP - SÃO PAULO HABEAS CORPUS
EMENTA: Exercício arbitrário das próprias razões:
inexistência: manutenção pelo agente de sua posse contra quem -
conforme sentença civil transitada em julgado - jamais a detivera.
1. Constitui elemento normativo do tipo do exercício
arbitrário das próprias razões (CPen., art. 345) o não enquadrar-se
o fato numa das hipóteses excepcionais em que os ordenamentos
modernos, por imperativos da eficácia, transigem com a autotutela de
direitos privados, que, de regra, incriminam: o exemplo mais
freqüente de tais casos excepcionais de licitude da autotutela
privada está na defesa da posse, nos termos admitidos no art. 502
C.Civil.
2. Desse modo, saber quem detinha a posse no momento do
fato constitui questão prejudicial heterogênea da existência daquele
crime atribuído ao agente que pretende ter agido em defesa da sua
posse contra quem jamais a tivera.
3. A eficácia no processo penal de sentença civil
transitada em julgado, que haja decidido questão prejudicial
heterogênea, não depende de que, para aguardá-la, tenha havido
suspensão do procedimento criminal.
Ementa
Exercício arbitrário das próprias razões:
inexistência: manutenção pelo agente de sua posse contra quem -
conforme sentença civil transitada em julgado - jamais a detivera.
1. Constitui elemento normativo do tipo do exercício
arbitrário das próprias razões (CPen., art. 345) o não enquadrar-se
o fato numa das hipóteses excepcionais em que os ordenamentos
modernos, por imperativos da eficácia, transigem com a autotutela de
direitos privados, que, de regra, incriminam: o exemplo mais
freqüente de tais casos excepcionais de licitude da autotutela
privada está na defesa da posse, nos termos admitidos no art. 502
C.Civil.
2. Desse modo, saber quem detinha a posse no momento do
fato constitui questão prejudicial heterogênea da existência daquele
crime atribuído ao agente que pretende ter agido em defesa da sua
posse contra quem jamais a tivera.
3. A eficácia no processo penal de sentença civil
transitada em julgado, que haja decidido questão prejudicial
heterogênea, não depende de que, para aguardá-la, tenha havido
suspensão do procedimento criminal.Decisão
A Turma deferiu o pedido de habeas corpus, nos termos do voto do Relator. Unânime. 1ª. Turma, 24.06.97.
Data do Julgamento
:
24/06/1997
Data da Publicação
:
DJ 22-08-1997 PP-38763 EMENT VOL-01879-03 PP-00427
Órgão Julgador
:
Primeira Turma
Relator(a)
:
Min. SEPÚLVEDA PERTENCE
Parte(s)
:
PACTE. : EDUARDO MORAES PASSARELLI
IMPTE. : ALBERTO ZACHARIAS TORON E OUTRO
COATOR : TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
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