TJSC 2010.011076-6 (Acórdão)
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE CANCELAMENTO DE PROTESTO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. APELO DA AUTORA. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AVALIAÇÃO PROBATÓRIA QUE SE CONFUNDE COM A PRÓPRIA ANÁLISE DA RESPONSABILIDADE DO APELADO PELO PROTESTO DO TÍTULO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA ORIGEM DO CHEQUE OU DE QUALQUER ATO ATRIBUÍVEL À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CERTIDÃO QUE APONTA COMO APRESENTANTE DO TÍTULO ESTABELECIMENTO DIVERSO DO APELADO. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER INDÍCIO QUE JUSTIFIQUE A DILAÇÃO PROBATÓRIA. AO MAGISTRADO, COMO DESTINATÁRIO DA PROVA, COMPETE ANALISAR A CONVENIÊNCIA E A OPORTUNIDADE DE SUA PRODUÇÃO. CERCEAMENTO AFASTADO. ARGUIÇÃO NO APELO DE NUNCA TER ABERTO CONTA OU SE RELACIONADO COM O BANCO RÉU. INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Da análise da petição inicial, verifica-se que a autora/apelante, em momento algum, explica a origem da dívida que deu causa ao protesto do cheque ou o motivo pelo qual entende ser indevida a inscrição. Com efeito, a apelante, em sua exordial, limita-se a discorrer sobre as consequências advindas do protesto do cheque e a necessidade de indenização pelos danos morais sofridos sem, contudo, explicitar a situação que teria originado o débito e o motivo pelo qual a instituição financeira seria responsável pelo ato. Pode-se concluir pela ausência de responsabilidade do apelado pelo protesto do título e a consequente inscrição do nome da apelante nos órgãos de proteção ao crédito, ante a conclusão de que a instituição financeira não foi a apresentante do cheque ou tenha praticado qualquer conduta que tenha contribuído para o ato. Ademais, as alegações do apelo relacionadas com a inexistência de abertura de conta-corrente da apelante no banco apelado constituem inovação recursal, porquanto não constam dos fundamentos da petição inicial e da contestação, o que não pode ser suprido pelos documentos juntados com a exordial. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJSC, Apelação Cível n. 2010.011076-6, de Canoinhas, rel. Des. Dinart Francisco Machado, Segunda Câmara de Direito Comercial, j. 07-04-2015).
Ementa
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE CANCELAMENTO DE PROTESTO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. APELO DA AUTORA. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AVALIAÇÃO PROBATÓRIA QUE SE CONFUNDE COM A PRÓPRIA ANÁLISE DA RESPONSABILIDADE DO APELADO PELO PROTESTO DO TÍTULO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA ORIGEM DO CHEQUE OU DE QUALQUER ATO ATRIBUÍVEL À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CERTIDÃO QUE APONTA COMO APRESENTANTE DO TÍTULO ESTABELECIMENTO DIVERSO DO APELADO. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER INDÍCIO QUE JUSTIFIQUE A DILAÇÃO PROBATÓRIA. AO MAGISTRADO, COMO DESTINATÁRIO DA PROVA, COMPETE ANALISAR A CONVENIÊNCIA E A OPORTUNIDADE DE SUA PRODUÇÃO. CERCEAMENTO AFASTADO. ARGUIÇÃO NO APELO DE NUNCA TER ABERTO CONTA OU SE RELACIONADO COM O BANCO RÉU. INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Da análise da petição inicial, verifica-se que a autora/apelante, em momento algum, explica a origem da dívida que deu causa ao protesto do cheque ou o motivo pelo qual entende ser indevida a inscrição. Com efeito, a apelante, em sua exordial, limita-se a discorrer sobre as consequências advindas do protesto do cheque e a necessidade de indenização pelos danos morais sofridos sem, contudo, explicitar a situação que teria originado o débito e o motivo pelo qual a instituição financeira seria responsável pelo ato. Pode-se concluir pela ausência de responsabilidade do apelado pelo protesto do título e a consequente inscrição do nome da apelante nos órgãos de proteção ao crédito, ante a conclusão de que a instituição financeira não foi a apresentante do cheque ou tenha praticado qualquer conduta que tenha contribuído para o ato. Ademais, as alegações do apelo relacionadas com a inexistência de abertura de conta-corrente da apelante no banco apelado constituem inovação recursal, porquanto não constam dos fundamentos da petição inicial e da contestação, o que não pode ser suprido pelos documentos juntados com a exordial. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJSC, Apelação Cível n. 2010.011076-6, de Canoinhas, rel. Des. Dinart Francisco Machado, Segunda Câmara de Direito Comercial, j. 07-04-2015).
Data do Julgamento
:
07/04/2015
Classe/Assunto
:
Segunda Câmara de Direito Comercial
Órgão Julgador
:
Janine Stiehler Martins
Relator(a)
:
Dinart Francisco Machado
Comarca
:
Canoinhas
Mostrar discussão